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[ Janeiro 29, 2019 by Martim Mariano 0 Comments ]

Storytelling: como contar uma boa história?

Há muita gente que julga que o sabe fazer, mas que na verdade não faz a mais pequena ideia do que está a dizer.

É uma pergunta que pouco ou nada tem de inocente, mas tem tudo e mais alguma coisa de pertinente. Contar uma boa história tem que se lhe diga. Se tem. E é bem mais difícil do que se pode pensar.
Acredite que há muita gente que julga que o sabe fazer, mas que na verdade não faz a mais pequena ideia do que está a dizer.

Uma história, à semelhança de, por exemplo, uma apresentação feita para uma plateia de cem, duzentas, trezentas, mil, 3 mil, ou 20 mil pessoas tem de ter uma estrutura muito clara e fácil de ser compreendida por quem a está a ver/ouvir.

E isto, ao contrário do que possa parecer, é uma das partes mais críticas de todo o processo.

Não pode haver nada pior para quem conta uma história do que chegar ao fim e não ter a reacção que espera do seu público. Ou pior, que é ter de usar aquela frase destruidora de sonhos e que tem o mesmo efeito na tentativa de explicar o fracasso que o de um jornal em cima da cabeça debaixo de uma chuvada torrencial.

“Eu sei que é difícil imaginar… tinhas mesmo de estar lá para ver”.

Esta frase é o reconhecimento envergonhado da própria incapacidade da pessoa que contou a história. Porquê? Porque quando contamos uma história é fundamental que quem a ouve consiga “ver” exactamente aquilo que lhe estamos a tentar mostrar.

A importância de arrancar bem

O arranque da história_digitalfc

O primeiro exercício que deve ser feito é sempre o de nos colocarmos no lugar de quem vai ouvir história e não no lugar de quem a vai contar.

Esta mudança estratégica de perspectiva faz com que consigamos pensar exactamente no que é que valorizamos quando ouvimos uma história.

Com que tipo de histórias é que mais facilmente criamos empatia e, sobretudo, com que tipo de contador de histórias é que nos sentimos mais confortáveis e mais presos a cada uma das palavras que vamos escutando e que nos vão conduzindo ao longo da acção.

Nesse sentido, o arranque é determinante para a forma como nos propomos a captar a atenção de quem nos está a ouvir.

Se se trata de uma apresentação, de pé, perante uma audiência que está, regra geral, sentada, costuma dizer-se que os primeiros 30 segundos são fundamentais.

Akash Karia, autor do livro TED Talks Storytelling – 23 Storytelling Techniques from the best TED Talks, coloca um desafio a todos os que vão fazer apresentações desta natureza, que passa por responder às seguintes questões:

  • Se a minha audiência só pudesse sair daqui com uma única e clara mensagem, qual é que eu gostava que fosse?
  • Se eles tivessem de esquecer tudo aquilo que eu disse e o que se passou ao longo do tempo em que estive em cima do palco, qual é a ideia que eu gostava que eles levassem ou que retivessem, no final daquele dia?

Respondendo a estas perguntas ficamos com uma ideia mais concreta de qual vai ser então o caminho que vamos escolher para entregar a nossa mensagem.

O autor acrescenta ainda que, após ter analisado mais de 200 TED Talks, conseguiu concluir facilmente que as que conseguiam prender de forma mais eficaz e sem grande esforço a audiência eram as apresentações onde os autores contavam uma história.

Ao escolherem este método os autores conseguiam passar a mensagem que queriam de uma forma mais interessante e sem parecer que estavam a dar uma aula ou uma palestra aborrecida a audiência que estava ali para os ouvir.

Já vi largas dezenas destas TED Talks e posso afirmar que Akash Karia tem toda a razão na fundamentação desta afirmação.

As melhores apresentações, quer seja no formato TED Talks, ou em qualquer um dos eventos a que já fui – e acreditem que já foram mesmo muitos – são aquelas que têm uma história na sua base. Ou melhor, que começam com uma história.

Arrancar a apresentação desta forma, ao invés de optarmos pela tradicional e aborrecida apresentação – que já devia ter sido feita pelo Mestre de Cerimónias, moderador, apresentador, ou o que lhe quiserem chamar – onde dizemos quem somos e que estamos felizes da vida por termos sido convidados para este evento, é uma estratégia que se revela inteligente e vencedora.

A probabilidade de conseguirmos agarrar o público nos primeiros 30 segundos sobe drasticamente se escolhermos a história, a emoção, a empatia que dela advém, a personalização e a identificação do público para com aquilo que estamos a tentar mostrar-lhes.

Sim, porque para quem está a contar uma história essa tem de ser uma prioridade.

O Conflito

Igualmente importante, se não mesmo O mais importante, é que a história tenha um conflito marcado ao longo da acção. Esse conflito deverá ser ultrapassado pela personagem central, embora antes disso seja necessário que essa mesma personagem passe por toda uma série de obstáculos e dificuldades que vão fazer com que quem nos está a ouvir comece rapidamente a desenvolver uma empatia crescente pela personagem, havendo idealmente uma transposição/transferência de sentimentos relativamente a essa personagem.

Havendo empatia, identificação e aproximação do público ao herói, há a garantia (quase total) de que a audiência está a ser envolvida na história e que está com a atenção total ao que estamos a dizer.

Toda a gente tem (pelo menos) uma história para contar

Muitas vezes achamos que não temos histórias para contar, que a nossa vida não tem assim grande interesse, mas não fazemos sequer ideia do quão longe estamos da verdade.

Todos nós temos (pelo menos) uma história para contar. Uma técnica secular, mas que continua a ser infalível é a de andarmos com um caderno de notas, daqueles que pode caber no bolso do casaco (tamanho A6), ou da mochila (tamanho A5), vá, onde possamos tomar notas de coisas de que nos vamos lembrando e que podem ajudar a desenvolver ideias para grandes histórias.

Esta técnica é muito utilizada por profissionais que fazem das palavras o seu sustento. Escritores, poetas, cantores, copywriters, publicitários, argumentistas, jornalistas, storytellers, a grande maioria deles, sobretudo os que alcançam o sucesso nas suas actividades, usam este método tão primário e ao mesmo tempo tão absolutamente perfeito, que é também uma espécie de trinómio de criatividade: pensamentos, caneta/lápis e papel.

Uma técnica incrivelmente poderosa e que ajuda bastante quando estamos a tentar registar uma paisagem, seja ela física ou emocional, é a de virarmos o bloco na horizontal, como se fôssemos desenhar.

Parece estranho, mas peço-lhe que continue a seguir o raciocínio.

A ideia passa por dar um sinal claro ao nosso subconsciente de que estamos à procura de alguma coisa diferente, fora do comum.

Em seguida voltamos a colocar o bloco na vertical para identificarmos o lead do texto:

  • Quem?
  • O Quê?
  • Quando?
  • Onde?

Voltamos a colocar o bloco na horizontal para então irmos à procura do porquê, onde podemos aprofundar e desenvolver a ideia em que estamos a trabalhar. O nosso subconsciente adora estas pequenas pistas que o obrigam a desvendar caminhos novos.

O foco tem de ser a nossa própria história. A visão única que temos do mundo

O foco tem de ser a na nossa própria história. A visão única que temos do mundo_storytelling_digitalfc

Pode parecer estranho ou egocêntrico, mas não é.

É, aliás, a única forma que temos de criar algum tipo de empatia com a audiência que temos – seja à nossa frente, numa sala cheia, ou do outro lado do ecrã – para conseguirmos criar empatia com as pessoas temos que ser pessoais e contar histórias nossas.

No limite, essas histórias têm de ter sido vividas por alguém que conheçamos muito bem e sobre quem consigamos falar facilmente, com pormenor e sendo capazes de transmitir a mesma intensidade que transmitiríamos se estivéssemos a contar uma história vivida na primeira pessoa.

Quando alguém compra um livro nosso, lê um artigo no nosso blog, fica mais algum tempo dentro do carro para nos ouvir falar na rádio, compra um jornal para ler uma entrevista que tenhamos dado, ou entrega de bom grado o email e outros dados para receber um ebook gratuito que fizemos sobre um determinado tema, aquilo que essa(s) pessoa(s) procura(m) é precisamente a personalização, que é como quem diz, quer ouvir ou conhecer a nossa visão particular do mundo.

Perceber como é que olhamos para ele e de que forma é que isso pode produzir algum efeito na sua vida. Ponto.

A história é sobre quê, mesmo?

A história é sobre quê_storytelling_difital fc

Como leitores, se tivermos chegado ao 4º ou 5º parágrafo e ainda não tivermos percebido sobre que é que a história fala… isto significa que o autor está em “maus lençóis”.

A resposta à pergunta que acima lancei vai ajudar a determinar o foco e o objecto da nossa escrita.

Por isso, se não costuma fazê-lo, talvez seja altura de repensar a sua escrita. Chegando ao quarto ou quinto parágrafo, o leitor já deve ter conseguido perceber o que está em jogo na nossa história, o que é que está no ar, se de repente lhe tirarem a história da frente dos olhos, o que é que ele estará a perder?

Levar os leitores pela mão, num passeio inesquecível

Levar os leitores pela mão_Storytelling_digitalfc


Tal como já referi mais acima neste texto, é muito importante, se não mesmo determinante, que consigamos descalçar os sapatos de autores e escritores/criadores de conteúdos, para conseguirmos enfiar nos pés os sapatos de quem nos lê. Este é um dos “truques de magia” do Storytelling.

Feita esta pequena, mas extremamente relevante troca de papéis, importa perceber se a nossa história flui com naturalidade; se há alguma coisa na mesma que precise de ser abordada com maior clareza, ou se é necessário dar mais contexto a algum momento em particular.

Nunca nos podemos esquecer de algo fundamental quando contamos uma história pessoal – fomos nós que a vivemos!

Se não formos capazes de conduzir o espectador/leitor através do tempo e da acção – dentro da qual estamos completamente à vontade e embrenhados até aos olhos – e de contar essa mesma história com grande cuidado, as pessoas não a vão perceber, por muito que essa mesma história nos deslumbre e maravilhe de cada vez que a contamos.

Por tudo isto é tão importante que, ao contarmos a história, consigamos mostrar o nosso mundo aos leitores/espectadores, que os consigamos conduzir de forma natural pelo pedaço da nossa vida que estamos a partilhar.

Contar uma história de cada vez

Contar uma história de cada vez_storytelling_digitalfc

Em média, se tudo correr bem, podemos chegar aos 80/90 anos.

80 Anos correspondem a 960 meses de vida.

Se pensarmos que a vida pode mudar drasticamente numa questão de segundos, temos matéria mais do que suficiente para escrever e contar milhares de histórias.

Contudo, quando se trata de histórias pessoais, importa reforçar que devemos esforçar-nos por incluir nas mesmas apenas os momentos mais importantes.

“There is no greater agony than bearing an untold story inside you” Maya Angelou


Claro que todos nós temos dezenas, centenas de histórias incríveis para contar. Mas é muito importante que não nos esqueçamos de uma regra de ouro: contar apenas uma história de cada vez! O nosso trabalho é tornar a comunicação clara, limpa, e não baralhar quem nos lê ou ouve.

Muitas vezes não é o como que tem mais interesse na história que queremos contar, é o simples facto de a história ter acontecido que lhe confere, regra geral, toda a beleza. Por isso devemos dar atenção ao acontecimento e não a tudo o que aconteceu.

Nunca perder o tema de vista

Não perder o tema de vista_Storytelling_DigitalFC


Por fim, mas não menos importante, é fundamental que nunca percamos o tema, o objecto da história da nossa vista.

Que ele nunca se ponha a brincar atrás do prédio num sítio onde deixamos claramente de o ver, para depois termos de ir à procura dele.

Mantermo-nos fiéis ao tema é exactamente o que faz com a nossa história tenha uma direcção clara (rumo ao seu final) e que mantém o leitor/ouvinte preso à mesma.

No final, quando estamos a editar a nossa história, a ver o que é que podemos cortar e onde é que podemos cortar, devemos ter a clarividência suficiente para olhar para ela e ver se esta responde claramente à promessa inicial que fizemos quando nos decidimos a contá-la.

Se sim, fantástico, está tudo pronto para podermos publicar/contar a nossa história. Se não, é preciso voltar atrás e ver onde é que estamos a falhar à promessa que foi inicialmente feita a quem nos ouve ou lê.

Conclusão

Por último olhemos então para aquilo que estivemos a ler a fim de embrulhar este texto numa série de pontos que não devemos mesmo deixar de prestar toda a nossa atenção.

  • Escrever é difícil e contar histórias tem muito que se lhe diga;
  • É fundamental ter um bom arranque;
  • Toda a gente tem (pelo menos) uma história para contar;
  • O bloco de notas e a sua extrema utilidade na vida de quem conta histórias;
  • As pessoas gostam de histórias pessoais onde podem conhecer a nossa visão do mundo ou sobre determinada parte do mesmo;
  • As pessoas têm de perceber claramente sobre o que é que trata a nossa história;
  • A importância de levar os leitores/espectadores pela mão, num passeio inesquecível;
  • Contar apenas uma história de cada vez. Chega e sobra;
  • Não perder o tema de vista. É o tema que nos vai manter fiéis à promessa inicial feita a quem nos vai ler ou ouvir.

Daqui para a frente espero sinceramente que, quando se preparar para contar uma história que comece a incorporar estes “truques” que aqui lhe deixei. Se o fizer, está a percorrer o duro caminho de querer melhorar a sua prática, mas posso garantir-lhe que apesar de duro, o caminho é tremendamente saboroso e gratificante.

Tem alguma pergunta ou dúvida sobre o assunto que gostasse de ver respondida? Deixe a sua opinião ou questão nos comentários.

(fonte: https://writingcooperative.com/8-writing-tips-that-will-make-you-a-powerful-storyteller-85592cf26cee)

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