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[ Fevereiro 7, 2019 by Martim Mariano 0 Comments ]

Storytelling: diferenças entre escrever e contar histórias

Haverá assim tantas diferenças entre os dois conceitos?
Quais são elas? É isso que vamos ver neste texto

Deixe-me dizer-lhe uma coisa: podemos ser incríveis contadores de histórias, mas terríveis escritores.

É por essa mesma razão que importa que perceba muito bem quais são as principais diferenças entre escrever e contar histórias.

Mas em primeiro lugar vamos às definições, sim?

O que é a Escrita?

E o que é o Storytelling?
Haverá assim tantas diferenças entre os dois conceitos?
Quais são elas?

“No tears in the writer, no tears in the reader. No surprise in the writer, no surprise in the reader.”

Robert Frost

Escrever é… bem, escrever é escrever.

É a magnífica e inquietante arte de colocar palavras numa página – seja qual for o formato – de uma forma que, com precisão, com eficiência e, por vezes, com dor, se consegue transmitir algum tipo de informação.

Indo ao mais básico, escrever é precisamente aquilo que estou a fazer ao escrever este artigo (sei que é óbvio, mas era para que de facto se percebesse bem a analogia).

E isto que estou neste preciso momento em nada se assemelha com o acto de contar uma história. Certo?

Há escritores para todos os gostos, de todos os tipos, para todas as áreas.

Alguns de nós, como é o caso, também contamos histórias. Outros reportam factos. Os que dão assistência/orientação técnica. Há ainda os que oferecem inspiração e encorajam quem os lê a operar vários tipos de transformação. Há de tudo, no fundo.

Bom, mas ao que a este artigo diz respeito, importa que nos foquemos naqueles que criam histórias, nomeadamente, os que criam e escrevem ficção.

A partir do momento em que estamos a colocar palavras numa página para evocar/contar uma história, passamos automaticamente a ser escritores.

Texto escrever não é para todos no Blog da Digitalfc

Contudo – e é extremamente importante que se perceba isto – o simples facto de estarmos a contar uma história incrível e memorável, não significa necessariamente que a nossa escrita também o seja.

Quero com isto dizer – tal como o fiz no arranque deste texto – que podemos ser incríveis contadores de histórias, mas terríveis escritores.

A escrita tem – para ser sintético – um segredo.

O escritor será sempre melhor, quanto maior for a sua capacidade de fazer despertar e trabalhar a imaginação dos leitores – e quanto mais ler e escrever, mas já lá vamos.

É o domínio da palavra. Fazer esculturas com as mesmas. Dominar a técnica da narrativa.

Abaixo deixo uma lista de skills que se aninham confortavelmente debaixo das asas do colosso que é a escrita:

  • Gramática
  • Voz
  • Descrição
  • Ritmo
  • Pontos de vista
  • Escolha de palavras

Então e o que é o Storytelling?

“Inside each of us is a natural-born storyteller, waiting to be released.”

Robin Moore
Artigo sobre diferenças entre escrita e storytelling para Digitalfc

O Storytelling, por sua vez, não tem uma ligação umbilical à escrita. Contar histórias é a tradição de descobrir e relatar os padrões dramáticos da vida – e se você for um bom contador de histórias, partilhá-las com a dose certa de suspense e de emoções com as quais os seus leitores/ouvintes se identifiquem, pode ter a certeza que vai conseguir arrebatar-lhes os corações.

O Storytelling acontece um pouco por todos os meios de comunicação que conhecemos. Damos de cara com ele não em romances, mas igualmente nos filmes, nas séries, nos programas de televisão, na poesia, em canções, quadros, fotografias, até na dança.

O ser humano, por natureza, é um contador de histórias. Como já escrevi recentemente, todos nós temos uma história para contar – vídeo youtube – mas nem todos nós sabemos escrever.

Aquilo que procuramos, no fundo, é a tradução/trasladação das nossas experiências para pequenos fragmentos da nossa vida – quer seja para capturar as memórias adjacentes a essas mesmas experiências, ou para conseguir descobrir o significado mais profundo que elas podem conter.

O Storytelling é a capacidade de encontrar as verdades universais que estão ligadas à experiência humana e de as transformar numa qualquer espécie de drama, dar-lhe a forma de uma história.

Quando falamos de alguma das características que abaixo apresento, estamos na verdade a referir-nos menos à escrita propriamente dita e mais ao Storytelling, a mui nobre e antiga arte de contar histórias.

  • O tema
  • O arco da personagem
  • A narrativa
  • A estrutura da história
  • O suspense
  • O conflito e a tensão
  • A moral da história

Como é que podemos desenvolver estes dois tipos de skills, tão diferentes entre si?

Uma história, por si só, é um pouco mais do que emoções cruas e imaginação. É preciso transformar essa história num produto que as pessoas consigam apreciar e entender, e isso requer uma apurada técnica de transcrição.

Por sua vez, a escrita, na sua mais pura essência, mais não é do que colocar, de uma forma sensível e quiçá até bonita, de colocar palavras dentro de uma página, ou sequência de páginas, dando-lhes sentido e tornando-as intelegíveis e relacionáveis.

Para sermos capazes de contar boas histórias, temos de dominar estas duas vertentes.

Faço-lhe uma pergunta simples: qual é a sua skill – a escrita ou o storytelling?

Todos os escritores de sucesso têm de ser capazes de usar um misto de várias técnicas: narrativa e escárnio/sarcasmo, ou a arte de fazer piadas; lógica e criatividade, storytelling e escrita criativa.

Cada um de nós utiliza estes processos de forma diferente, dependendo da abordagem que fazemos aos temas.

Deixo-lhe aqui 3 conselhos para o ajudar a tornar-se um melhor storyteller.

1. Aprenda a ver a história pelos dois lados (por dentro e por fora)

Como contar historias digitalfc

A psicologia e a técnica de contar histórias é vasta e complexa. É como ter nas mãos um diamante enorme. Estamos constantemente a virá-lo e a girá-lo na tentativa de ver todas as formas possíveis que a luz tem de entrar por todas as suas arestas.

E mesmo assim, não conseguimos ver tudo o que há para ver, o que nos obriga a ter o aproximar do olho, ou até sacar da gaveta os seus óculos de ver ou perto, ou mesmo uma lupa, para assim conseguir ver tudo, na esperança de chegar mesmo ao coração do diamante.

O Storytelling funciona assim. Para conhecermos e dominarmos a arte de contar histórias, temos de ser capazes de olhar para elas de mais perspectivas. É preciso andar para a frente e para trás, de nos distanciarmos o suficiente para conseguir olhar para o quadro geral e perceber como todas as peças se encaixam, para depois fechar o ângulo e olhar para cada pequeno pedaço que a compõe, vendo o desenvolvimento e o encadeamento, parágrafo a parágrafo.

As partes têm de estar alinhadas. Uma história será tanto melhor e maior quanto mais coesa e coerente estiver.

2. Procurar a história por trás da história

Texto Escrever Não é para Todos_Blog_Digitalfc

Qual é a história? Claro que esta pergunta pode ter várias respostas, mas se despirmos a história e a deixarmos nua, ao vento, aquilo que encontramos é, naturalmente, o tema. Uma história, seja ela qual for, é uma declaração sobre o mundo, aos olhos de quem a conta.

Se procurarmos logo essa mesma declaração, conseguimos imediatamente perceber sobre o que é que trata a história. Isto, por sua vez, vai permitir que consigamos posteriormente escolher os enredos certos e as personagens perfeitas que vão suportar a nossa história.

3. Estude a teoria das histórias

Texto Escrever Não é para Todos_Blog_Digitalfc

Em última análise, o storytelling tem tudo a ver com a teoria das histórias. Se começar a estudar e a aperfeiçoar algum das matérias que mencionei acima (enredo/narrativa, personagens, tema da história, etc.) vai estar a caminhar a passos largos para se tornar num melhor storyteller.

Uma coisa lhe garanto, não pode tornar-se um excelente contador de histórias, se não for, em primeiro lugar, um estudioso inveterado da… vida!

Por fim, deixo-lhe agora 3 conselhos para começar hoje mesmo a escrever melhor.

1. Aprenda a “mostrar” em vez de descrever

storytelling_digitalfc_artigo

Esta é uma das máximas fundamentais e absolutamente incontornáveis para quem escreve e, também, para quem conta histórias. É impreterível que consiga fazer com que o seu público visualize aquilo que lhe está a dizer/contar. Sobretudo se estivermos a falar de uma publicação que seja feita sem qualquer recurso a imagens, como é, regra geral, um livro.

Se o Storytelling se pode traduzir, mormente, por uma espécie de reunião e organização metafórica de interpretações do mundo e da vida, a Escrita, por sua vez, é muito mais do que um simples e corriqueiro exercício de partilha destas interpretações. A escrita é o que lhes dá vida.

Escrever ficção é a arte de dramatizar tudo isto.

Não nos limitamos a contar aos leitores pormenores da nossa história; queremos que eles as vivam, ou que sintam que as viveram.

Mostre, não conte

Esta é a razão principal para que uma das mais primoridiais ferramentas da narrativa resulte da oposição entre mostrar e contar. É, de resto, uma das mais poderosas ferramentas da subtil arte da dramatização; muito mais eficaz do que estar a resumir acontecimentos. Como? Escolhendo e utilizando os melhores substantivos, verbos e adjectivos para conseguir criar e dar vida ao que estamos a escrever.

Por sua vez é também, sem grande margem para discussão, um dos desafios mais duros que qualquer escritor tem de ultrapassar.

No entanto, não pense que isto é impossível. Aliás, assim que começar a dominar esta técnica de contrabalanço entre o mostrar e o contar, posso garantir-lhe que vai conseguir invadir as mentes dos seus leitores e plantar dentro das suas cabecinhas.

“The purpose of a storyteller is not to tell you how to think, but to give you questions to think upon.”

Brandon Sanderson

2. Exerça a importantíssima arte da disseminação da informação

Texto escrever não é para todos no Blog da Digitalfc

O que é que fazemos quando contamos uma história?! Partilhamos informação, certo?

E isso, isso qualquer pessoa pode fazer. Não é verdade? É, mas… fazê-lo bem é quase uma ciência.

O verdadeiro e valiosíssimo truque no meio disto tudo, é disseminar a informação da forma mais eficaz, notória e artística possível.

Pensemos nisto com uma espécie de hack de psicologia, onde vamos tentar aumentar a nossa notoriedade. Basicamente, aquilo que está em causa é a pretensão que temos de entrar na mente das pessoas através de uma espécie de dança que espante de tal forma quem está a ler, que acaba por haver uma entrega voluntária do controlo das suas mentes, depositadas nas nossas mãos.  

A formula consiste em entregar-lhes a medida certa de informação que os ajude a visualizer a cena, de modo a que consigam criar uma ligação empática e emocional com a(s) personagem(s).

Esta, no fundo, é a arte por trás da escrita.

E é exactamente por esta mesmíssima razão que deixamos um último, mas não menos fundamental conselho:

3. Pratique, que é como quem diz, escreva

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“Read, read, read. Read everything — trash, classics, good and bad, and see how they do it. Just like a carpenter who works as an apprentice and studies the master. Read! You’ll absorb it. Then write. If it’s good, you’ll find out. If it’s not, throw it out of the window.”

William Faulkner

A arte do Storytelling pode ser aprendida sem ter de se estudar grande coisa. Tudo o que é preciso fazer é estudar histórias e estudar a vida, por si só. Prestar-lhe atenção.

Com a escrita, a coisa muda radicalmente de figura.
É preciso – e muuuuitoooo – prática. Muita prática. Até porque, como gosto de afirmar, escrever não é para todos

O ritmo e andamento de uma boa prosa, a habilidade de escolher detalhes mais ou menos evocativos que conseguem mostrar a sua história aos seus leitores, o instinto de perceber o que partilhar e quando partilhar – tudo isto são técnicas e skills que não podem ser ensinadas.

Os escritores aprendem a aperfeiçoá-las, primeiramente, através da observação consciente das técnicas utilizadas por outros escritores, mas mais do que isso, por meterem as mãos na massa com as palavras e aprenderem como é que as podem controlar.

É por isto que, tendo um contexto, percebendo qual é a envolvência da história, a sua natureza, se pode facilmente separar aquilo que é o Storytelling do processo de escrita mais propriamente dito.

Conclusão

Talvez se dê o caso de você ser um ou uma contadora de histórias desde que se lembra de ser gente, tendo essa veia levado a que tenha acabado por procurar a companhia das palavras e da escrita.

Ou talvez, como é o meu caso, sempre tenha gostado do poder das palavras no papel; de definir o ritmo, o andamento, a vida, a alma das palavras que juntas criam histórias, tendo sido esse o caminho que acabou por o – ou a – trazer até ao mundo do Storytelling.

Seja como for, qualquer um destes caminhos é inteiramente nosso, cabendo-nos a nós a tarefa de os explorar e de os usar para escrevermos histórias maravilhosas.

Saber reconhecer as diferenças entre estes dois conjuntos de competências pode ajudar a que consiga melhorar… ambos, à medida que vai optimizando o seu processo de escrita, de forma a que este responda o melhor possível às suas necessidades criativas.

Se tiver alguma questão que queira esclarecer, alguma dúvida, ou alguma sugestão, por favor não hesite em deixá-lo nos comentários a este artigo.

Obrigado por ter estado desse lado… e se gostou mesmo do texto, partilhe-o com a sua rede. Nunca é demais ajudar alguém a escrever melhor.

Fonte: https://www.helpingwritersbecomeauthors.com/a-writer-or-a-storyteller/

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